diário - 08.dezembro.2011

 
Quinta-feira

 

Faz hoje precisamente 3 anos desde o "atentado de Santiago", como ficou mundialmente conhecido. Hoje não fui trabalhar, não consegui, tenho tudo bem fresco e ainda não sinto aquele distanciamento que dizem que o tempo permite. Lembro-me de tudo em pormenor.
Nesse dia 8 de dezembro houve três inaugurações em Santiago do Cacém, que é a sede-capital de um dos mais extensos concelhos do país, fazendo fronteira com os de Sines e Grândola (também do distrito de Setúbal) e com os de Ferreira do Alentejo, de Aljustrel, Odemira e Ourique (do distrito de Beja), bem como com o Oceano Atlântico. A cidade de Santiago do Cacém fica situada no Alentejo Litoral, pertencendo ao distrito de Setúbal e com a peculiaridade de ser o único concelho de todo o Alentejo com duas cidades (a outra é Vila Nova de Santo André).
Por volta das 11:30 foi a inauguração da exposição "No caminho sob as Estrelas - Santiago e a Peregrinação a Compostela" representando o prato forte do dia, seguida de almoço. Esta iniciativa estava integrada no roteiro cultural dedicado à figura de Santiago e teve a presença de inúmeras personalidades portuguesas como o Presidente da República e a Ministra da Cultura (e diversas personalidades locais) e galegas, como o Presidente da Xunta da Galicia e o Arcebispo de Santiago de Compostela. Esse roteiro incluiu várias datas em solo português e outras tantas em solo galego. Aliás, Santiago de Compostela, a capital da Galiza, em Espanha, é famosa precisamente pela sua catedral, destino de peregrinos cristãos, no percurso mundialmente conhecido como Caminhos de Santiago.
O programa do dia incluía 3 momentos, sendo que os que inauguraram esta exposição seguiram em comitiva para as restantes.
Foi aproveitado o facto de haver tanta individualidade reunida para também inaugurar oficialmente o Hotel Caminhos de Santiago. Desta forma, pelas 15 foi servido um chá tranquilizante aos convidados e depois a cada um foi oferecido um quarto onde pôde repousar até às 17. Ainda antes da sesta e em cerimónia restrita, só para os convidados do chá, foi entregue ao arquiteto Francisco Aires o prémio Municipal de Arquitetura por assinar este hotel, um dos ex-libris da arquitetura contemporânea da zona.
A parte da sesta foi organizada pelo Movimento pela Sesta (MpS). Este MpS, o grupo local de defesa da sesta, com grande peso no Alentejo, defende esta atividade como uma forma de responder às questões da produtividade, bem como da manutenção de tradições e especificidades regionais. Apesar das razões culturais, baseiam-se também em variadíssimos estudos, como por exemplo, um produzido por investigadores (Escola de Saúde Pública de Harvard e Universidade de Medicina de Atenas) que afirma haver uma redução da ocorrência de doenças cardíacas e de enfartes, bem como um melhor desempenho motor e das capacidades de memória e de decisão por parte de quem dorme a sesta. Em suma, a qualidade da produção diária aumenta significativamente se houver a interrupção da sesta. Recomendam um tempo de repouso que nunca ultrapasse os 60 minutos, situando-se o período ideal entre os 20 e os 40. Reclamam, portanto, o direito à sesta, tradicional em países ou zonas do mundo mais quentes (tal como Portugal) como China, Espanha - e por influência quase toda a América Latina - Índia, países do Médio Oriente, países do Norte de África, Grécia, etc.
Cheguei a Santiago do Cacém um pouco antes das 18 para a inauguração de fotos da minha grande amiga Felizarda Barradas (FB - um grande nome da fotografia portuguesa) e das máquinas do galego Vicente Vito, última atividade do dia, desta vez no Museu Municipal.
Esta terceira inauguração que culminou com um lanche também só para convidados (nos quais desta vez me incluía) foi uma tentativa de trazer os temas contemporâneos também para o diálogo da arte com os valores. Apesar de já durante a tarde a arquitetura ter trazido a contemporaneidade para o certame, aqui apresentava-se um dos muitos projetos (neste caso artístico) de cooperação entre o Alentejo e a Galiza.
Vicente Vito é um artista de máquinas steampunk, que apresentou uma relação entre o seu próprio universo criativo e as fotografias de flores selecionadas para de alguma forma representar a obra da FB. Lembro-me de na altura ter conversado com o organizador desta exposição em particular e de me ter contado como foi difícil selecionar fotografias para representar a vasta obra da FB, uma vez que, apesar de as flores ocuparem uma importante fatia do seu trabalho, o seu mundo temático é muito mais abrangente, pois considera todo o cenário de vida e lavores rurais, bem como a natureza em geral. Oriunda do concelho de Santiago do Cacém, esta ativista do mundo sindical e professora de Educação Física em V N Sto André tem na fotografia uma visibilidade estética da sua existência, ligada não só ao que há de único e particular, ao que é característico e típico, mas também ao que há de universal nisto de estarmos ligados ao que nos rodeia.
Da Galiza, Vicente Vito apresentou máquinas diversas, desde meios de locomoção a utensílios domésticos, peças de arte e engenharia, reveladoras de um conhecimento extraordinário no manuseio dos mais diferentes materiais, na criação de ambientes mistos da época vitoriana com o período da Belle Epoque, nomeadamente no que toca à Arte Nova (Art Nouveau). Para cada flor fotografada o galego criou uma das suas máquinas e o mais extraordinário é que conseguiu manter os traços da flor de tal forma que era quase imediata a identificação com a fotografia correspondente. Essencialmente artístico, mais especificamente iniciado nos mundos do design e da arquitetura, o movimento da Arte Nova da viragem do séc. XIX para o XX acabou por influenciar também as artes restantes. Associado à exploração industrial de novos materiais como o vidro e o ferro, mas sem perder de vista o trabalho artesanal, influenciou diretamente toda a estética arquitetónica da Belle Époque, mas com efeitos duradouros no conceito de beleza ornamental chegando mesmo até ao estilo gráfico do psicadelismo dos anos 1960-70. Usando elementos do simbolismo, caracteriza-se pela exploração da forma orgânica, o floral e teve repercussões mundiais até com diferentes nomes, sendo "Flower Art" na Inglaterra, "Floreale" na Itália ou "Jugendstil" na Alemanha. O café Majestic no Porto, a Casa-Museu Dr Anastácio Gonçalves em Lisboa e alguns edifícios em Aveiro e Caldas da Rainha atestam a sua influência nas nossas praças.
Para além da relação evidente com o trabalho da FB, Vito estabeleceu ainda uma correspondência entre o tratamento formal dos motivos florais da Arte Nova e a aplicação dos seus conceitos maquinais retro próprios de uma atitude steampunk inicial, inovando mesmo dentro do seu próprio movimento estético. Afinal o conceito STEAMPUNK ("steam", vapor, tendo a tecnologia a vapor como o ícone da época a recriar, apesar de o seu nível de inspiração ir até à idade média + "punk", como uma certa forma de entender a autoridade oficial e a natureza humana) é uma especialização do mundo da ficção científica que atingiu notoriedade, principalmente no final dos anos 1980. Facilmente confundida com o movimento Cyberpunk (diferente por estes explorarem uma certa rebeldia cibernética em contraste com o retro-futurismo dos steampunks), trata-se da criação de todo um universo paralelo onde em períodos anteriores ao nosso tempo se faria uso de equipamentos contemporâneos, mas concebidos com materiais, conhecimentos científicos e paradigmas estéticos dessa época passada, como é o caso de computadores pessoais feitos em madeira ou naves espaciais e robots movidos a vapor. Tendo Júlio Verne como um dos ícones criativos, toda a futurologia espacial-tecnológica criada ainda no século XIX, com os condicionamentos culturais da época serve de inspiração a estes artistas steampunks. Filmes como "Van Helsing" são também casos de estudo para este tipo de arte com inspiração de época, que gosta de explorar o lado sombrio (tendo o escritor H P Lovecraft aqui uma forte influência, entrando nos campos da ficção fantástica).
Durante a exposição houve alguns discursos e, depois de ter cumprimentado os artistas, resolvi sair e ir-me embora. Antes de chegar à porta encontrei a Eva Zuse, amiga de longa data, atualmente a viver em Madrid e a trabalhar numa editora de livros de arte. Ainda lhe disse para sairmos que já estava lá há muito tempo, mas ela insistiu em ficar para o fim, pois queria muito falar em particular com a FB (tinha um convite para a integrar num livro de fotografias de artistas ibéricos) e no meio daquela confusão não conseguia explicar-lhe pormenores importantes. Lá me convenceu e fiquei até ao fim.
Por volta das 21:30 a bomba rebentou no parque de estacionamento do Museu. Estávamos as 3 ainda à conversa no interior quando ouvimos o estrondo que até fez tremer o chão. Para além de nós, já lá só se encontravam 2 funcionários destacados para o efeito. No parque não havia ninguém.
Felizmente que só houve danos materiais e ainda hoje estou convencida de que o grupo queria mesmo só assustar pois descobriu-se mais tarde que o engenho explosivo fora ativado à distância, de um local de onde se via bem todo o parque. Ora, se escolheram uma altura em que não estava ninguém é porque não quiseram intencionalmente atingir pessoas.
Por volta das 23:00, ainda estávamos as 3 juntas e em estado de choque, recebemos um telefonema da Polícia Judiciária a informar que a explosão não fora um acidente, mas um atentado, pois tinha acabado de ser reivindicado pelo grupo terrorista Hiin-Jhanii, um grupo terrorista indo-americano formado por dissidentes das Comunidades de Bhagwan Shree Rajneesh, autónomos portanto, mas ainda assim agindo em benefício de Osho.
Durante os anos 1980, nos EUA, o místico indiano Bhagwan Shree Rajneesh (mais tarde conhecido por Osho) fundou variadíssimas cidades ocultistas. Há centenas de livros com transcrições de discursos seus, que são êxitos de venda um pouco por todo o mundo. Os seus seguidores dedicam-se a atividades terapêuticas alternativas como a meditação dinâmica, que corresponde a um certo tipo de exercício aeróbico associado à ideia de hiperventilação. Supostamente a aplicação desta técnica promove a atividade do dia-a-dia, e não o entorpecimento. Osho é entendido como um libertador anti-tradições e anti-autoridade, raramente conciliador, amoral e valorizador da consciência individual enquanto única forma de aperfeiçoamento, sem o recurso a intermediários (sacerdotes, políticos, ele próprio, etc). Valorizou a desconstrução e o silêncio e acreditava otimisticamente num futuro melhor em que cada um de nós conseguirá ser o buda em si, recuperando memórias que o quotidiano esquece. Como é habitual nos líderes religiosos também chegou a ser foi acusado criminalmente em vários países, este por fraude e envenenamento alimentar.
Apesar das suspeitas terem também recaído sobre os demais crentes, este pequeno grupo internacional assumiu-se independente e decidiu tomar as rédeas da situação e agir por si. O seu objetivo era pressionar as entidades internacionais a entregar o Endless Jackpot ao seu líder espiritual, Osho, que decidiria o que fazer com ele.
O discurso dos Hiin-Jhanii era confuso e contraditório, pois apesar de serem pela paz, usaram meios bélicos para atingir os seus objetivos e, de uma forma bastante agressiva, falavam da necessidade de conseguir a paz mundial a todo o custo. Acreditavam que se Osho tivesse a possibilidade de gerir tão grande fortuna, a paz iria certamente ter um peso decisivo na evolução mundial.
De referir que Osho nunca assumiu ser essa a sua vontade, mas nunca rejeitou igualmente tal hipótese. Quando lhe perguntaram sobre o seu possível envolvimento no atentado limitou-se a dizer simbolicamente que, cito, "optar não é uma atitude eficaz".
Ainda não passou muito tempo desde o atentado, mas estes factos levaram ao fim de toda uma lógica existencial: a adesão quase mundial ao movimento Peace Game para o fim da medida Endless Jackpot (EJ), a distribuição efetiva do montante e o consequente desmantelamento de todas as organizações Netoils.
O psicólogo da Polícia Judiciária que nos tem acompanhado desde então, disse-me que talvez esta reviravolta provocada pela vitória do Peace Game traga alguma tranquilidade a todas as vítimas mundiais dos atentados relacionados com o EJ. Não sei se trará essa tranquilidade, pois atentados sempre houve e sempre haverá pelas mais diversas razões, pois o fim do EJ não quer dizer o fim do terrorismo, apenas o fim deste motivo.
Quanto a mim, este momento perturbou muito a minha forma de ver a vida e de lidar com pormenores associados ao quotidiano. Já antes do atentado não gostava muito de ser a última a sair dos sítios. O que é certo é que desde então que tenho sofrido de uma certa ansiedade relativa a finais, que me tem afetado em muitas frentes.
Na semana imediatamente a seguir ao atentado comecei a ter sessões semanais com o dito psicólogo para tratar a ansiedade que ele julgava estar relacionada com o atentado. Sempre com a tónica na minha relação problemática com o final das mais diversas coisas e situações, ainda andei nos ansiolíticos, experimentei-os todos e nenhum me apaziguou, adormeciam-me apenas. Tomei Bromazepam, Diazepam, Alprazolam e Clonazepam e fartei-me.
Esta postura de que tinha obrigatoriamente de estar doente doía-me mais do que qualquer doença que pudesse ter efetivamente. Tudo deriva disto de acharmos que temos de ser todos iguais, então quando alguém é muito diferente, em vez da compreensão necessária, rotula-se como doença e trata-se para que fique igual aos outros. Andei nisto até ao fim de 2010, sem efeitos de melhoria visíveis. Experimentei vários tratamentos espirituais, convencionais, populares, etc., tendo acabado por desistir e assumido a coisa, não como uma doença (no meu caso, um suposto distúrbio ligado à ansiedade) mas como uma característica (como um tipo de específico de dieta, de visual, de orientação sexual, política, religiosa, etc.). Foi nessa altura que descobri o Grupo da Escatologia Laica (GEL).
O meu primeiro contacto com o GEL teve a ver com a minha adoração pelo poeta, teórico, tradutor, esotérico, etc., Fernando Pessoa (1888-1935) que, de acordo com a opinião do crítico literário Harold Bloom, é autor de um dos mais importantes "legados da língua portuguesa ao mundo". Associado à mais interessante tríade de heterónimos conhecida (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos) tinha o trunfo de conseguir esmiuçar em ação de palavras a grande subjetividade humana. Talvez para equilibrar a sua aparentemente pacata vida, deixou-se levar por um frenesi criativo em que tudo era vivido e sentido na ficção, mas com a precisão acutilante de quem teria efetivamente tido a experiência. Lembra-me aquele pensamento não-sei-de-quem que diz que inteligente é aquele que aprende com os seus próprios erros, mas que genial é quem aprende com os erros dos outros - nisso dos outros Fernando Pessoa era perito.
Assim foi, quando andava à procura de algo a que me agarrar nesta ideia de não ter doença alguma, deparei-me com um anúncio de um grupo de apoio, o GEL, que começava com 3 versos de Fernando Pessoa, a saber: "Há doenças piores que as doenças, / Há dores que não doem, nem na alma / Mas que são dolorosas mais que as outras." Senti, imediatamente, uma empatia muito forte com estas palavras e decidi investigar. Dizia logo a seguir que se tratava de um clube de apoio a pessoas com relações peculiares com o fim das coisas. Sendo que a Escatologia é uma parte das filosofias teológicas dedicada ao destino derradeiro do ser humano, ao seu final (como será de esperar, há todas as explicações possíveis, desde a reencarnação à dicotomia Inferno/Paraíso até ao simples "desligar" final) o termo Laico no nome do clube chama a atenção para o facto de se tratar de algo completamente diferente.
Ainda antes de ter ido à primeira sessão li algumas informações no site do GEL, e percebi que a minha relação com a escatologia laica é de praticante, não de filósofa ou de profeta. Tenho dificuldade em comer tudo, deixo sempre comida no prato. Há livros dos quais só consigo ler as primeiras e as últimas páginas (o meio entedia-me e despoleta a minha ansiedade de tal forma que perco as estribeiras e torno-me inquieta, perco o sono, enfim). Nunca consegui manter um namoro, pois quero logo casar no primeiro dia, o que acaba por assustar os potenciais esposos. Quando tenho de fazer um trabalho escrito começo pela conclusão e só depois é que consigo fazer o resto. Quando vou passar férias a algum lado, nunca lá fico nos últimos dias pois quando a ideia de me ir embora começa a surgir, ponho-me logo a andar. Por vezes faço o saco de viagem e raspo-me ainda de noite, deixando um bilhetinho aos convivas para lerem na manhã seguinte. O mesmo faço em festas: quando está no auge saio e levo comigo essa imagem da festa ao rubro - se ficasse até ao fim assistia à sua decadência, pelo que só não o evito se não puder.
Inscrevi-me no site e mostrei-me interessada em integrá-lo, nomeadamente numa secção que se referia a pessoas que já tinham tido experiências com médicos institucionais, mas que se rebelaram contra o sistema, que quiseram deixar de se sentir aliens.
Quando fui à primeira sessão, tive antes uma pequena conversa com o diretor do GEL, que me revelou o seu interesse pelos finais, porque os associa à ideia de criatividade. Explicou-me que, de acordo com a evolução dos movimentos artísticos, o final ou decadência de um certo formato estético corresponde à fase de experimentalismo do movimento seguinte, daí corresponder à sua fase mais criativa (antes de este atingir a maturidade e estabilizar monotonamente).
Desde então que tenho frequentado as sessões do GEL e até já fiz alguns amigos por lá.
Realmente este mundo da escatologia laica tem variantes absolutamente imprevisíveis, mas assumidas de forma honrosa e até algo científica. Há um grupo que só vê o fim dos filmes, tendo-se especializado em finais, chega a preferir só ver o último quarto do filme para não se influenciar com a linearidade da sequência narrativa - chegam até a fazer concursos para ver quem consegue adivinhar o filme só pelas imagens finais ou adivinhar o livro pelas últimas frases.
Conheci lá o Viantúlio Chen (também de ascendência asiática, como eu) que nunca acaba um livro de ficção, primeiro porque nunca repete escritores, depois porque, em consequência disso, o que procura na leitura é a envolvência estilística que um determinado autor proporciona. Ora, assim que se consegue aperceber do estilo do autor, sente uma desmotivação enorme em continuar pois já encontrou o que procurava. O Viantúlio também não vê o fim dos filmes, diz que perde o interesse, acha os desfechos pouco interessantes, até do ponto de vista da evolução narrativa.
O GEL publica um pequeno jornal com estudos e casos. No único número a que tive acesso saíram dois artigos de salientar: um estudo recente da Universidade da Califórnia, retirado do jornal Psychological Science, onde se salienta que descobrir o desfecho de uma determinada história não elimina o prazer de a percorrer. Aliás, na experiência em questão, perante as opções de conhecer o fim logo no início, conhecer o fim a meio da história (filme ou livro), ou só o conhecer no fim mesmo, a maioria das pessoas preferiu conhecer o fim logo no início, estranhamente, pois pelo senso comum isso deveria levar a uma perda de interesse. Do mesmo estudo se conclui que um filme ou livro ganham maior riqueza de fruição quando visto ou lido pela segunda vez. Talvez por isso as pessoas gravem filmes ou guardem livros que já leram, para os poderem fruir vezes sem conta.
Vistas bem as coisas, percebe-se porque é que se fazem remakes de filmes e, apesar de serem histórias sobejamente conhecidas, o interesse do público mantém-se.
O outro artigo referia-se uma pequena empresa britânica, Myndplay, que revolucionou a arte de ver filmes com o lançamento de uma grandiosa tecnologia: com o poder da mente, o espectador poderá definir o fim das histórias. Ou seja, a partir da identificação de ondas cerebrais identificativas de mais ou menos relaxamento, em momentos certos na leitura do filme é feita a opção por um ou outro percurso, determinando todo o desenvolvimento e consequente final a acontecer.

É só...

 
Ana d'Arques Chin-Ki

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3 comentários:

  1. Como sou um ser simples, só sou seguidor de mim mesmo... (rsrsrs).
    Não acredito em absolutamente nada em religiões e outras aldrabices que nos "perseguem" nesta vida e muito menos em movimentos mais pequenos. Os mentores são os mesmo (de estrutura).
    Mas acredito em mim... já o faço há perto de 65 anos.

    Um obrigado pelo comentário deixado na m/casa.
    Mas não acredite muito no que escrevo.
    Por vezes nem eu sei, se sou eu a escrever.
    Talvez por ser o tal ser simples.

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  2. Mas que aventura! Um excelente fim de semana!

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  3. Olha, que texto interessante! Literatura, psicanálise, cinema...

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