Convite - tese de Doutoramento

 





A Faculdade de Ruturas e Reconstruções da Universidade de Novos Paradigmas convida-o a assistir à prova pública nº 723 do Programa de Doutoramentos em Áreas Combinadas. 

ÁREA COMBINADA DA DISSERTAÇÃO: Psicologia Política & Saúde Pública 

TEMA: Considerações sobre a extinção dos agentes políticos por análise comportamental com vista à otimização de processos em saúde pública 

CANDIDATO: Dr. Carlos Barbosa de Cunha e Silva 

ORIENTADORES: Prof Dr F. A. Sá-Carneiro Cunhal; Prof Dr Timothy F. Leary 

EXAMINADORES: Prof Dr W. Charles-Edward Amory; Prof Dra Emma Goldman 

FINANCIAMENTO: FICoG: Fundo de Investimento em Conclusões Globais 

PÁGINAS: 254 

PERÍODO DE INVESTIGAÇÃO: (aproximadamente) 6 anos 

INTRODUÇÃO:
Começo salientando que são várias as razões que me levam a dedicar anos de estudo à volta de um tema particular. Primeiro, porque é a evolução natural de quem já passou por todas as etapas da carreira académica pré-doutoramento. Segundo, porque, fosse qual fosse o meu objecto de estudo, iria sempre contribuir para o engrandecimento da universalidade do saber. Finalmente e apesar das razões anteriores, o facto de contribuir diretamente para a melhoria da qualidade de vida dos meus semelhantes é, sem dúvida, o motor que me movimenta.
O acaso, às vezes, empurra-nos para soluções que não veríamos se as procurássemos pelas vias normais da seleção de temas a investigar, os processos de afunilamento temático onde já me havia embrenhado, mas de forma desapaixonada.
Quando, uma vez, percorria os canais de televisão à procura de um programa interessante para assistir, parei no canal da Assembleia da República (ARTV) e por lá fiquei.
O total desinteresse pelo tema em debate canalizou a minha atenção para as estruturas linguísticas usadas pelos políticos que intervinham. Rapidamente o lado obscuro do texto se me revelou como referencial de um certo estar psicológico. O interesse pela questão fez-me visionar o dito canal televisivo durante alguns dias seguidos e apercebi-me do quanto essa forma de estar se assemelhava a todos os oradores, independentemente do seu quadrante ideológico-partidário.
Apesar de não imaginar sequer as conclusões a que haveria de chegar, achei de imediato que havia ali matéria de estudo. Procurei, durante o primeiro ano, todas as teses transversais à linguística, psicologia e política que me pudessem inspirar. Consegui que a minha ideia captasse a atenção de dois orientadores e alguns meses depois lá comecei o processo que me levaria à tese que aqui apresento.
Na esperança de não me ter esquecido de ninguém (orientadores, patrocinadores, colaboradores, amigos, família, etc) apresento, num dos apêndices da tese, a extensa lista dos agradecimentos que considerei indispensáveis porque significativos. No entanto, não posso deixar de salientar que sem a presença tranquilizadora e ronronante dos meus gatos Bino e Rita (de seus nomes completos Marquês Balbino Inácio de Teresa e Doutora Rita Amélia de Almeida e Teresa), o discernimento e o equilíbrio mental necessários a tão grande empreendimento se me afigurariam absolutamente impossíveis. A eles, portanto, as minhas carícias… 

RESUMO:
Para esta tese foi estudado todo o comportamento linguístico-parlamentar ocorrido num período de 4 anos, a saber 2011, -12, -13 e -14. Os discursos e intervenções registadas em acta (8320 páginas) foram analisados consoante o tempo de serviço político dos deputados (nota 1). O objecto do estudo foi a capacidade de interação comunicativa registada.
Tudo partiu das noções básicas de diferenciação entre diálogo e monólogo, onde a interação (ou a sua ausência) pressupõe uma atitude convencionada. Partindo da forma mais elementar da adequação discursiva do diálogo, exemplificada na tipologia pergunta/resposta (nota 2), todos os enunciados harmonizam a expectativa em concordância total.
Tendo em conta que é função da Assembleia da República, entre outras, permitir a discussão e a justificação de atuações políticas, há uma formalização do conceito, mediada pelo Presidente da Assembleia da República. Essa formalização baseia-se na já referida adequação discursiva do diálogo, sendo dada a palavra a quem pergunta e, consequentemente, a quem responde. Uma vez que foram feitas sinalizações de ruído, foi possível encontrar variados elementos de apreensão sobre os estados mentais dos interlocutores.
Em vez de interagir de forma adequada, factores de neutralidade e indiferença perante o outro revelam, pela significativa e generalizada quantidade de ocorrências, não uma capacidade de gestão do direito de antena, mas uma incapacidade de fugir ao formato aplicado. Não estamos perante casos de indiferença total, pois quem responde não foge ao tema de quem pergunta, simplesmente, não reage da forma adequada (nota 3), desvirtuando a funcionalidade da própria Assembleia.
Para além das leituras já referidas foram contactados 73 deputados que, amavelmente, se sujeitaram a diferentes testes psicológicos de eficácia reconhecida (nota 4). Através destes foi possível observar indicadores da sua introversão, da sua vida instintiva e emocional e da sua perceção ou abordagem global do mundo. De forma significativa, os Profissionais e Barões revelaram distúrbios psicológicos (nota 5), apresentando níveis de introversão exponencialmente elevados. O assumido caráter introvertido, maior nos Barões que nas outras categorias, tende a uma auto-suficiência patológica (contrastante com o extrovertido, que procura os que o rodeiam), com tendência ao afastamento dos contactos sociais, dirigidos que estão para os seus próprios pensamentos e experiências, motivados por um instinto simultâneo de insegurança, revelado por processos de resposta antecipadora (nota 6).
Resultante das preocupação e ocupação mentais, provocadas pelas exigências de instituições sociais (oficiais ou culturais), há um elemento degenerativo de alienação que, de alguma forma, começa a evidenciar-se logo nos tempos de Iniciado (nota 7). Outro factor que contribui para a alienação dos agentes políticos é o acumular de estados frustrantes de tensão e ansiedade, provenientes de impedimentos acumulados. Destes resultam, primeiramente, lapsos amnésicos subtis e, depois, autênticas e irrecuperáveis fugas à realidade (nota 8), sendo as satisfações reais (porque inexistentes, ou apenas formalmente presentes) substituídas por equivalentes imaginárias.
Porque da atuação dos políticos depende a gestão da vida da população em geral; porque da manutenção deste modelo de actuação parlamentar depende a saúde dos próprios deputados e, enquanto modelos sociais, também dos seus admiradores; porque, por tudo isto, as saúde e segurança públicas estão postas em causa; proponho, em jeito de conclusão, o fim dos agentes políticos (entendidos pelo modelo vigente) e a sua rápida substituição por cidadãos capazes de, não só integrar a sua ação nas correntes filosóficas em que se definem, mas também de realizar operações simples, como responder a uma pergunta de forma direta (nota 2). 

Notas:
1. Iniciados (1º mandato); Profissionais (2º e 3º mandatos); Barões (mais de 3 mandatos)
2. Que horas são? São onze e meia.
3. Que horas são? As horas dividem-se em minutos e segundos.
4. Teste de Rorschach, entre outros.
5. Respostas originais são sinónimo de inteligência, mas quando assumem características bizarras, revelam perturbações mentais.
6. Mecanismo que desenvolve, antes mesmo do estímulo, uma reação possível. Um certo tipo de reflexo condicionado que, perante determinado interlocutor, impede que a pergunta seja sequer ouvida.
7. Há duas fases distintas do vício alienante que caracteriza o processo degenerativo em causa: primeira, nos Iniciados que, para serem reconhecidos pelos seus pares, obrigam-se a agir da mesma forma que os restantes; segunda, já a partir dos Profissionais, em que o esforço inicial se transforma em naturalidade e inconsciência.
8. Irrecuperáveis, não porque não haja terapias eficazes, mas porque, enquanto que o viciado em drogas já se encontra estigmatizado pelas instituições sociais e estigmatiza-se porque culturalmente se define como tal, o político não se sente alienado, sente-se até bastante inteligente pela sua forma de atuação e nunca procurará ajuda, pois não é, de forma alguma, pressionado social, existencial e intelectualmente a fazê-lo.


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2 comentários:

  1. Caríssimo colega

    Considero bastante pertinente e adequada aos tempos vigentes a escolha do tema para a tua tese de doutoramento. As áreas combinadas de Psicologia política e Saúde Pública são pontos fulcrais para o estudo e compreensão da sociedade em que vivemos, liderada pelos agentes políticos que tão bem caracterizas em termos comportamentais e psicológicos.
    As conclusões apresentadas no seu estudo testemunham a tua clarividente capacidade de análise e, mais importante ainda, a tua capacidade de encontrar soluções para a situação estudada. É de louvar a brilhante e lúcida conclusão que chegas: os agentes políticos têm de ser, indubitavelmente, substituídos por cidadãos capazes de lidar com os problemas vigentes e demonstrarem uma atitude inteligente e coerente perante as tarefas básicas, como bem dizes, e passo a citar "responder a uma pergunta de forma direta".

    Parabéns pelo teu trabalho

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  2. agradeço as palavras amáveis, cara amiga, só reparo que não é minha a tese de doutoramento, mas sim do Dr. Carlos Barbosa de Cunha e Silva.

    :-)

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